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  • Hildebrando Ribeiro

A vida na Idade Média

Se você é um apaixonado pela época da Idade Média, assim como eu, seja em razão dos livros, filmes, animações e séries, ou simplesmente quer saber como viviam as pessoas na Idade Média, vou lhe indicar um livro que é leitura obrigatória!


Acaso ache mais conveniente, ouça este podcast!


O termo Idade Média é o período de 10 séculos que compreende:

  • O fim do Império Romano, no século V, com as invasões bárbaras que foram os povos germânicos e eslavos fragmentando o império;

  • Até o nascimento da Europa, quando a maior parte das nações modernas já haviam estabelecido o território, nome e língua.



Image by Yuri_B from Pixabay



A vida na Idade Média, publicado pela editora Martins Fontes, em 1994, é o livro da autora Geneviève D’Haucourt, uma arquivista francesa que faleceu no ano 2000, com incríveis 95 anos de idade.


Hoje para ter acesso a este livro de exatas 134 páginas você só vai encontrar usado. Adianto que vale muito a pena!


O livro é dividido em 3 capítulos:


  1. A Vida Material - que trás a condição da vida medieval, a habitação, mobiliário, vestuário e alimentação;

  2. O Ritmo do Tempo - que relata sobre o dia e ano;

  3. O Ritmo da Vida - que fala como era o nascimento, educação, casamento, doença e morte.




Geneviève diz que na Idade Média as condições naturais é que controlavam a rotina das pessoas e enfatiza que a vida era bem precária.


Com a iluminação artificial ruim, o sol era quem ditava a jornada de trabalho. Os homens do campo acordavam antes do raiar do dia para poder começar as atividades às 6 horas da manhã.


Como estamos falando do continente europeu, trabalhava-se mais no verão e repousava-se mais no inverno, devido ser bem difícil nesta época. Mesmo que colocassem fogo na lareira, as chaminés lançavam quase todo o calor para fora da casa. Não havia meios satisfatórios contra o frio, assim era preciso usar roupas quentes.


As casas eram bem simples, com uma sala mais ou menos grande. Nesta sala era onde trabalhava, recebia as visitas, cozinhava, comia e dormia. Esta era a realidade tanto para camponeses quanto burgueses.


Os móveis eram simples quanto a casa, entalhados a machadadas em tábuas grossas. A cama era grande, para 2 a 6 pessoas. Era um grande caixa que eles enchiam com feno para fazerem o colchão e utilizavam sacos cheios de palha como travesseiros. Mas, o cobiçado mesmo era fazer os acolchoados de penas, que permitia uma noite sono confortável.


Havia um baú ou arca, colocado no chão de terra batida, que servia ao mesmo tempo de armário e assento. Também tinha uma mesa, muitas vezes montada sobre cavaletes que permitia retirá-las após o uso. Daí surgiu a expressão “tirar a mesa”.


Ao lado da casa construíam um celeiro para guardar grãos, feno, carroças, estábulo e pocilga. Do mesmo modo, era onde cavavam para fazer a adega de vinho.


No caso do transporte, a água era o principal meio de comunicação. Pelo mar ou rio eram transportados grãos, vinho, areia, pedra e etc. E é por esta razão que as primeiras grandes cidades comerciais foram em locais com portos fluviais e marítimos.


O comércio era voltado para a satisfação local e não para a venda e o lucro. Praticava-se a policultura, que é o cultivo de várias plantas no mesmo terreno. Cada casa, chácara ou pequena região inclinava-se para ser autossuficiente.


Tudo era produzido em casa a partir do que foi plantado. Existia os alimentos essenciais, que eram destinado para todas as classes sociais, como:


  • Trigo, centeio e cevada para o pão;

  • Carne era do boi, vitelo, carneiro e porco - um detalhe, toda casa tinha uma salgadeira e todo início de inverno matava-se um porco para usar seu toucinho para conservar as carnes salgadas ou defumadas;

  • Vinho, cerveja e aguardente;

  • Galinhas, gansos, coelhos e cisnes como animais domésticos;

  • Javali, cervos e caças miúdas.


O acesso às notícias era o oposto ao que vivemos hoje na era da informação. O conhecimento do mundo limitava-se ao mercado e à peregrinação próxima. E quando sabiam de notícias do exterior era por meio de viajantes habituais e ocasionais.


O cavaleiro era uma figura de valor na época medieval, montar em um cavalo de guerra era motivo de orgulho. Lutava-se à pé também. Eles tinham um treinamento duro e constante.


Um fato curioso da batalha era que não necessariamente matavam uns aos outros. Muitos cavaleiros queriam render o outro, fazê-lo prisioneiro e vendê-lo de volta para a família com lucro extraordinário.


Entretanto, isto funcionava com pessoas da mesma classe social. Se o ganhador percebesse que o oponente não era da mesma classe, matava-o!


Em relação às cidades, até o século XIII, raras ultrapassavam 20 mil habitantes. As ruas eram sujas e este lixo só diminuía em razão dos cães, porcos e aves deixados em liberdade que vasculhavam o entulho atrás de algo para comer.


O mal cheiro das ruas ficava ainda pior, pois as pessoas esvaziavam os urinóis nas janelas.


E por falar em urina, não posso deixar de citar o papel dela na fabricação de tintas medievais.


Lãs e tecidos eram tingidos com corantes vegetais e a amônia na urina velha, de mais de um mês de um homem, que fixava o corante. Em Londres, por exemplo, haviam baldes nas esquinas onde homens urinavam e depois as tinturarias levavam para tingir os tecidos.


Ainda falando do mal cheiro das ruas, as pessoas tinham a crença de que as doenças eram carregas por gazes venenosos, o mal cheiro mesmo, e quando respiravam pegavam as doenças.


Para evitar as enfermidades, quando iam para as ruas elas carregavam colares com contas feitas de ervas. Quando sentiam mal cheiro, esfregavam as mãos nas contas e cheiravam.


E como estou falando de Idade Média, tem um livro que em breve eu farei um podcast sobre ele que é O Rei do Inverno, da trilogia As Crônicas de Arthur, do autor britânico Bernard Cornwell. O livro narra lenda do Rei Arthur de uma maneira que seria possível.


Não há poderes sobrenaturais ou forças do além, mas a realidade nua e crua que lemos em livros de história. E este detalhe da aproximação do que pode ter ocorrido naquela época na Inglaterra é o que deixa o livro maravilhoso. Não tenho certeza, mas acho que o Cornwell bebeu na fonte da Geneviève.


Enfim, falar da Idade Média é motivo de inspiração até os dias atuais. Acho que essa época preenche a imaginação da população mundial como nenhuma outra. Basta darmos uma olhada nas últimas décadas para vermos a quantidade de livros best sellers e/ou filmes arrasam quarteirões que até hoje encantam o planeta tendo a Idade Média como época dos acontecimentos.


Só a nível de curiosidade, vou citar alguns:


  • O Senhor dos Anéis - embora ocorra em tempo e espaço imaginário, é notável como o Tolkien se inspirou na temática medieval como a utilização das lendas, armas, fortalezas, organização social e outros elementos;

  • Coração Valente - baseado na vida do herói medieval escocês William Wallace, no final do século XIII, que lutou para fazer a Escócia independente;

  • Game of Thrones - em que George R. R. Martin se inspirou na mesma fonte, a idade medieval. Entre os livros estudados para deixar seu GOT mais plausível, ele leu sobre a Guerra dos Cem Anos, entre os Reinos da Inglaterra e França, que ocorreu entre os séculos XIV e XV, e a Guerra das Rosas, que foi a luta pelo trono da Inglaterra, em consequência a Guerra dos Cem Anos;

  • O Nome da Rosa - romance que o escritor Umberto Eco desenvolve sobre investigações de crimes misteriosos em pleno mosteiro italiano medieval;

  • Isto sem falar na série Vikings, ou nas animações como Valente, Como Treinar seu Dragão e Shrek, mas vou ficando por aqui.


Enfim, não vejo a Idade Média como “Idade das Trevas”, mas sim de uma maneira nostálgica. A Idade Média é o oposto da vida tecnológica e agitada em que vivemos, porém penso que é uma época única e extraordinária para inspirar a nossa imaginação.


Um grande abraço!

Hildebrando Ribeiro

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