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  • Hildebrando Ribeiro

Nossos antepassados viviam mesmo em harmonia com a natureza?

A resposta é NÃO! Nós humanos sempre fomos mortíferos. Desde os homens das cavernas que somos bons em algo, aniquilar outras espécies de animais.


Acaso ache mais conveniente, ouça este post!


Desconfie de frases do tipo:


Os homens primitivos viviam em harmonia com a natureza.


ou


Povos indígenas mantinham relação afetuosa com a natureza.



Image by OpenClipart-Vectors from Pixabay



Pois é, frases como estas podem soar como verdade, mas na realidade não passam de mentiras. E isto é afirmado por arqueólogos e você pode ter acesso a estas informações, como também a muito mais, no fantástico livro Sapiens - Uma breve história da humanidade, do historiador israelense Yuval Noah Harari, publicado pela editora L&PM Editores.





Acho que o Yuval dispensa apresentações, pois o cara é best seller no Brasil e no mundo. Além de ser figurinha carimbada em entrevistas para diversos meios de comunicações.


Quando ganhei este livro eu não o li, eu o devorei! Achei incrível o trabalho do Yuval descrevendo como nós humanos passamos de animais insignificantes até tornarmos os Senhores do Planeta Terra.


Eu já havia lido, por volta de 2004, um livro que contava a história da humanidade e que eu fiquei fascinado com a migração do homem pelo mundo. O livro era A Humanidade e a Mãe Terra, do historiador britânico Arnold Toynbee.


Mas o livro do Yuval conta esta migração dos humanos de uma maneira que faz com que o leitor não queira parar de ler.


Ele ressalta que 3 grandes revoluções definiram a história humana:


  1. Revolução Cognitiva - ocorreu há 70 mil anos, quando nós humanos tivemos nosso Despertar Cultural. Passamos a ser criativos e inteligentes. Desenvolvemos nossa linguagem, criamos nossas lendas, mitos, deuses e religiões;

  2. Revolução Agrícola - ocorreu há 12 mil anos, quando os sapiens começaram a aprender a plantar o que permitiu parar de viver espalhado por vastos territórios, vagando em busca de alimentos;

  3. Revolução Científica - começou há 500 anos. Vou ler um trecho do livro para esclarecer o que foi esta revolução:

“Por volta de 1500, a história fez sua escolha mais importante, modificando não só o destino da humanidade como também provavelmente o destino de toda vida na Terra. Nós a chamamos de Revolução Científica... Ao longo dos últimos cinco séculos, os humanos passaram a acreditar que poderiam aumentar suas capacidades se investissem em pesquisa científica. Isso não era uma fé cega – foi, repetidas vezes, comprovado empiricamente. Quanto mais provas surgiam, mais recursos as pessoas ricas e os governos estavam dispostos a destinar à ciência. Jamais teríamos sido capazes de caminhar na Lua, projetar micro-organismos e dividir o átomo sem tais investimentos.”

Bem, o livro Sapiens é em torno destas 3 revoluções. Posso afirmar que é extraordinária a historia contada por Yuval.


Entretanto, queria falar sobre o mito de que no passado os nossos antepassados viviam em harmonia com a natureza.


No capítulo A inundação Yuval destrincha a migração dos humanos. Como eles conquistaram o planeta indo parar nos mais longínquos lugares.


Yuval fala que antes da Revolução Cognitiva os humanos viviam exclusivamente no continente afro-asiático. E que após esta revolução os humanos adquiriram habilidades de organizações e tecnologia, para poderem aventurar mundo afora.


E fomos arrasando tudo que encontrávamos pela frente.


Após a chegada dos humanos à Austrália, das 24 espécies de animais que pesavam acima de 50 quilos, 23 foram extintos. Isto sem falar nas espécie menores.


O autor cita o exemplo do diprotodonte, o maior marsupial que já pisou na Terra e que já vivia na Austrália há mais de 1,5 milhão de anos. E que durante este mesmo período resistiu bravamente a pelo menos 10 eras glaciais. Contudo, não conseguiu resistir a poucos milhares de anos de convivência com nós humanos.


Há cerca de 800 anos os maoris chegaram à Nova Zelândia. Poucos séculos depois, a megafauna foi extinta junto com 60% dos pássaros.


No hemisfério norte, os mamutes viviam há milhões de anos. Após a chegada dos humanos eles foram exterminados. O último mamute a caminhar pelo planeta foi extinto já faz 4 mil anos.


Quando os humanos atravessaram do nordeste da Sibéria para o noroeste do Alasca, não foram menos mortíferos no continente americano. Isto ocorreu há cerca de 16 mil anos atrás.


Vou ler um trecho do livro que o Yuval conta como tudo ocorreu:


“O povoamento da América não ocorreu sem derramamento de sangue. Deixou para trás um longo rastro de vítimas. A fauna americana há 14 mil anos era muito mais rica do que hoje. Quando os primeiros americanos marcharam rumo ao sul, do Alasca para as planícies do Canadá e o oeste dos Estados Unidos, encontraram mamutes e mastodontes, roedores do tamanho de ursos, rebanhos de cavalos e de camelos, leões gigantes e dezenas de espécies grandes que são completamente desconhecidas em nossos dias, entre as quais os temíveis tigres-dentes-de-sabre e as preguiças-gigantes, que chegavam a pesar 8 toneladas e podiam ter até 6 metros de altura. A América do Sul abrigava uma coleção ainda mais exótica de grandes mamíferos, répteis e aves. As Américas eram um grande laboratório de experimentação evolutiva, um lugar em que animais e plantas desconhecidos na África e na Ásia haviam evoluído e prosperado. Mas não mais. Dois mil anos após a chegada dos sapiens, a maioria dessas espécies singulares havia desaparecido. De acordo com as estimativas atuais, nesse curto intervalo a América do Norte perdeu 34 de seus 47 gêneros de grandes mamíferos. A América do Sul perdeu 50 de 60. Os tigres-dentes-de-sabre, depois de florescer por mais de 30 milhões de anos, desapareceram, tal como as preguiças-gigantes, os leões-americanos, os cavalos e camelos nativos do continente, os roedores gigantes e os mamutes. Milhares de espécies de mamíferos menores, répteis, aves e até mesmo insetos e parasitas também se extinguiram (quando os mamutes morreram, todas as espécies de carrapatos de mamute tiveram o mesmo destino).”


O Yuval ressalta que após esta migração do homem pelo planeta, dos 200 grandes mamíferos terrestres pesando mais de 50 quilos, só restaram 100.


É inegável como nós humanos somos bons na arte da extinção!


Este capítulo do livro do Yuval quebra o mito de que os homens de hoje deveriam viver em harmonia com a natureza como nossos antepassados viviam. Isto é uma grande mentira, eles nunca viveram!


Inclusive, o Yuval fala uma frase que eu acho uma das mais fascinantes de todo o livro Sapiens, que é a seguinte:


“Não acredite nos abraçadores de árvores que afirmam que nossos ancestrais viveram em harmonia com a natureza.”

Um grande abraço!

Hildebrando Ribeiro



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